Retrospectiva whatever

5 de Abril de 2011

looking back

Sempre dizem que a vida tem altos e baixos. Bom, o que quase ninguém sabe é que muitas vezes esses altos e baixos acontecem num espaço muito curto de tempo, fazendo de sua vida um louco filme de David Lynch com Fellini. Foi o que aconteceu comigo, virando tudo do avesso, me deixando sem saber como contar todas essas mudanças aqui no blog. Pois bem, depois de ver muitos filmes que não foram compartilhados aqui, séries, viagens e acontecimentos, meses em que ando me remoendo por ter excluído o blog da minha vida atual, resolvi fazer uma retrospectiva geral para quem ainda quiser continuar me acompanhando, ou começar daqui pra frente! ;)

É como naquela mágica em que entra uma mulher na cabide preta e depois de 3 voltinhas sai outra completamente diferente. Bom, minha vida deu umas 20 voltinhas.

Em junho do ano passado, um dia antes do Dia dos Namorados, terminava meu namoro de quase 6 anos. Uma surpresa para muitos, até mesmo pra mim que, mesmo fazendo parte da cúpula de decisão, passei por muitos dias usando óculos escuros no trabalho, movendo pastas e arquivos para CD’s e estranhando a falta da aliança no meu anelar direito. Era tipo assim: na segunda achava que ia morrer, na terça de manhã sabia que todo mundo já passou por isso algum dia, na terça de noite saía com a amiga pra comprar roupas, no almoço de quarta chorava, na janta de quarta eu tinha certeza de que tinha sido melhor assim e tudo estava superado. E assim sucessivamente.

Em julho eu comecei a namorar de novo. Peraí, outra pessoa, ok? E com todas as coisas boas de um amor novinho em folha, me vieram vários sentimentos de culpa. Todo mundo me disse pra dar um tempo, autoconhecimento e aquela coisa toda. Meus vizinhos não iam estranhar? Meus amigos? Meu vô que mora na praia? E aquele garçom do restaurante que eu sempre ia? Mãe, sou puta?

Em vão… e que estranhem! Está tudo bem claro na letra de Eduardo e Mônica, e agora pra quem eu devo satisfações? Logo tudo ficou bem e essas paranóias sumiram da minha cabeça e eu comecei a aproveitar melhor as tardes na Redenção, viagem pra São Paulo, um final de semana em Torres.

E a coisa toda era tão intensa que bastaram apenas algumas semanas até eu sair de casa e ir morar com o namorado. Pois é, eu sei, já ouvi várias histórias parecidas. A pessoa namora há 10 anos, acaba, conhece alguém e em 3 meses eles estão casados morando em Curitiba com um canário chamado Jorge.

A saída de casa não foi fácil. Digo, foi aos poucos. Meus sapatos, por exemplo, vieram em pares. Algumas das minhas coisas nunca vieram. Teve a história da dona de casa, mas principalmente teve minha separação com minha mãe depois de 24 anos. Não usei óculos escuros, mas foi mais difícil e doloroso do que acabar um namoro.

Como se não fosse o suficiente, uns dois meses depois de ter saído de casa meu cachorro, o Chico, que morava conosco há 15 anos e esteve comigo durante todas as passagens marcantes da minha vida, ficou com câncer. O que eu vou dizer, ele tinha 15 anos. É óbvio que a gente esperava que logo fosse acontecer alguma merda. Mas minha mãe não quis ver ele definhar, e assim que começaram alguns probleminhas ela tomou a imensa coragem de sacrificar ele. Como definir? Hoje, meio ano depois, eu sonhei que ele não tinha morrido e na verdade tava escondido ali atrás do sofá na sala e acordei chorando.

Aí em outubro eu ganhei uma viagem para Las Vegas numa promoção do blog da Cravo & Canela. Vocês, hein? Sempre mudando minha vida de formas que nem imaginam. Foi uma bela surpresa que ainda não aconteceu, pois marcar um visto pra visitar a terra do Tio Sam é bem complicadinho e só na semana passada eu fui ao Rio de Janeiro comparecer ao Consulado. Mas agora que consegui, em breve vocês verão fotinhos minhas em Cassinos, hotéis e casando com Elvis por aqui e no Twitter!

Um tempo depois, eu pedi demissão do meu trabalho. Sabe, trabalhar é complicado, pessoas são complicadas, mas clientes merecem dormir em um travesseiro cheio de bosta e pus que exploda no meio da noite. Alguns. Nunca os meus atuais. E publicidade, o que dizer? Simplesmente não é possível dissociar pessoas, trabalho e feudalismo no atual sistema em que nos encontramos. Mas não, eu não decidi largar tudo e viver o sonho de infância que é ser detetive particular. Eu apenas me tornei freelance e montei meu portfolio. Tive uma idéia de projeto pessoal e agora estou prester a ter ela realizada em nível nacional graças aos amigos da Pulga.

Durante o verão, eu e o Rafael decidimos que não íamos mais jogar dinheiro fora vivendo de aluguel, e pegamos um financiamento na Caixa pra comprar um apartamento. Foi uma longa busca, entre um banheiro ridículo de 1m², muitas paredes na cara, coberturas que pareciam um sonho e o nosso apartamento novo. É animador, é assustador, às vezes quero ir embora pra Buenos Aires ou Londres e deixar o apê alugando, às vezes quero me mudar logo e comprar dezenas de coisas na Tok&Stok, às vezes visito o site Home Exchange e lembro de como a Cameron Diaz parecia feliz da vida naquele chalé com o Jude Law. A verdade é que o proprietário só vai sair de lá em outubro, embora já esteja com todo meu dinheiro dos fundos de investimento nas mãos, então provavelmente esses pensamentos ainda vão rodar muito pela minha cabeça.

E em março, descobri que tenho uma irmã gêmea rica no México. Porém ela morreu de uma doença galopante antes que pudesse me contar quem era nosso verdadeiro pai. Não riam, PODIA TER ACONTECIDO, ok? E a essa altura eu estaria morando em uma casa que Ana Maria Braga me deu de presente, vizinha das mães que tiveram os filhos trocados.

No fim das contas, foda-se o filtro solar. Na maioria das vezes vamos ter esquecido dele em algum lugar onde ficam as coisas usadas em apenas uma época do ano, junto a luvas, patins, rímel azul, velas e aquele telefone que você procurou pela casa toda e nunca achou quando precisava. Porque não existem conselhos que vão fazer as coisas serem diferentes das que estão destinadas a acontecer com você. Elas simplesmente acontecem, você nunca está preparado. Você cai, levanta e ainda precisa dizer em voz alta que tem um novo objetivo. Você começa do zero uma porção de vezes, e em metade delas vai ter jurado que não ia fazer isso de novo. Você tem medos e sonhos com 20, e também com 60 anos. E eu estou de volta a esse fucking blog.