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Casamento em Uruguaiana. Uruguaiana a 8 horas de Porto Alegre. Sem vestido e madrinha. Um pâncreas meia boca e a certeza de que nada ia ser muito fácil.
Então era isso, no feriado de Corpus Christi estava eu embarcando pra lá num ônibus levando uma caixa térmica com pão de queijo e vendo aos pedaços Elizabethtown dublado espremida numa poltrona, tentando convencer meu pescoço de que por aquela noite a cama ia ser um pouco diferente. Mal conhecia os noivos, mas nessas horas as formalidades falam mais alto e eu sucumbi. Precisava de algo pra me apegar, um amuleto, algo que me garantisse segurança durante os momentos mais difíceis: levei meu secador comigo. O meu secador 110w. Pro meu hotel 220w.
Meia hora de choro depois de um transformador estourado e tudo parecia bem, ignorando o fato de que eu não ia poder almoçar nada além de repolhos e batata doce, simplesmente porque não tem como encontrar uma restaurante árabe, mexicano, vegetariano ou natural na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina. E os restaurantes todos fecham às 14h, então por mais que eu quisesse ver pra crer, não ia dar tempo de procurar nada adequado ao meu pâncreas revoltado na cidade.
Tirando isso, foi tudo bem mais ou menos. Nunca tinha ido a um casamento e me dei conta do quanto definitivamente não quero um tradicional. Padre, Igreja, músicas sem graça… no way! No fim, me desculpem quem discorda, aquilo não é para os noivos. Se trata de um agradecimento à Deus. É um ritual para Deus. Não tem nada a ver com o amor entre as pessoas que estão se unindo. É tudo uma submissão. Assunto pra uma vida, não um post, acredito eu.
Always look on the bright side of life…
No fim, a melhor coisa foi ter estado na Argentina, Brasil e Uruguai em um mesmo dia. Um feito bobo, eu sei que não é impossível. Mas já foi algo! Comprei um rímel novo da L’Oreal, um lip balm de morango, muitas guloseimas pras pessoas queridas (com a plena satisfação de que elas estariam felizes podendo comer o que eu não posso), um som novo modernoso pra minha mãe e ganhei meu perfume amado da Diesel: Fuel for Life Unlimited. Também comprei umas coisas diet num mercado de Libres e tomei suco de Pomelo.


A segunda melhor coisa de tudo foi meu sapato, que comprei pra combinar com o vestido e o casaquinho de pele. Surpreendendo a tudo e a todos, eu não usei um Cravo & Canela, e COMPREI um sapato. Sim, eu comprei. Já vejo a hora em que vou ter que dormir no sofá da sala pois não terei espaço no meu quarto que não tenha uma caixa de sapato brilhando.

A terceira melhor coisa foi ter tirado fotos muito bonitas da May. Céu azul, poucos prédios, bastante tempo livre. Me orgulhei.

E a quarta melhor coisa foi descobrir que a H2O de lá é bizarra.

Mas apesar da aparência de suco do Chaves, é boa.
Se você não sabe o que é uma Blythe, conheça o site We Love Blythes.
Até pouco tempo atrás eu achava estranho. Não conseguia enfiar na cabeça como alguém com mais de 20 anos faria seu pensamento desviar de bolsas e sapatos para gastar em uma… boneca. Elas são cabeçudas e olhudas, e por isso muita gente brinca dizendo que tem medo dela. Sim, brinca, porque isso só seria aceitável vindo de um gafanhoto ou de um bebê.
Para todo mundo que me conhece ou pelo menos leu meu post sobre consumismo sabe que eu não ligo pra BlackBerry’s, sapatos JimmyChoo, MAC, iPods, iPhones ou qualquer outro i. Eu nunca comprei as coisas por marcas, e sim por achar bonito ou que combina comigo. Posso contar nos dedos algo que eu tenha comprado acima de 100 reais na minha vida toda. Foram dois sapatos, um casaco de inverno e uma bolsa. A vida toda.
Sendo assim, fica fácil entender a reação da minha mãe quando eu disse que ia comprar uma Blythe. Um pequeno sermão seguido de dois dias de silêncio. Até ela olhar e se apaixonar também. Mas, por que diabos, isso aconteceu?
Roupas – Perfeição e detalhes

Comecei babando pelas roupinhas e miniaturas perfeitas. Enquanto você não sabe o quanto custa cada uma dessas coisas, a vontade é de levar tudo pra casa! Não dá pra imaginar acabamentos mais perfeitos do que muita roupa real de adulto, e muito melhores também do que aqueles outfits singelos das Barbies da minha época.
Custom – Materializando a sua imaginação

Acho que a maior vantagem de ter uma Blythe é a possibilidade de customizar ela inteirinha. Não existe tempo ruim. Quebrou? Sujou? Arranhou? A gente arruma. Troca a maquiagem, troca o corpo, troca os olhos, troca os cílios, troca o cabelo. Troca a boneca que chegar na sua casa pela boneca dos seus sonhos. Quer uma boneca japonesa? Uma fada? Uma chorando? Uma albina? Uma negra? Uma personagem famosa? Uma ela que é ele? Tudo: dá pra fazer.
Criatividade – Personalidade: alterego ou projeção

Além de um objeto de design, uma fonte de criatividade ou uma simples companhia, sua boneca pode ser também quem você quiser. Ela pode ser malvada, sapeca, doce, rockeira, meiga, irônica, criança, diva. Pode ser tudo aquilo que você é. Ou pode ser tudo aquilo que gostaria de ser. Ou tudo aquilo que você jamais será, mas gostaria de expressar de alguma forma.
E agora, apresento à vocês a nova mascote do blog: MAY.

Ela é uma Blythe Pow Wow Poncho, lançada em dezembro de 2003, e é uma das minhas novidades! Eu escolhi ela porque adoro ruivas, e como ela tem cabelão e não tem sardinhas no rosto, eu não ia ficar com pena de cortar ou lixar o rosto e aí tenho mais possibilidades pra customizar. Isso é tudo bullshit, porque até agora só consegui lixar o rosto e fazer trancinhas hahaha Ela chegou aqui dia 26 de maio (por isso o nome dela é May, duh!), quase um mês depois que eu paguei ela. É que o negócio é chique, a mocinha veio direto de Hong Kong para Porto Alegre.
Percebam que ela só veste tricô hahaha Primeiro, porque chegou no inverno e só faz frio, né? Segundo porque pra economizar, ela só veste o que minha mãe faz, ou seja, tricô. haha Sim, sim. Minha mãe, aquela que ficou sem falar comigo, agora faz casaquinhos mini para bonecas.
Ela tem até uma madrinha, a Mari. Foi através dela que conheci as Blythes, e a Valentina foi a primeira Blythe que eu acompanhei, desde o momento de compra, passando pelos momentos desesperadores onde a Mari abriu ela, até hoje. E a recíproca é verdadeira. Fui no encontro das dolls do sul fazer uma matéria, a Mari me deixou por dentro de tudo e depois acompanhou também desde o meu pedido até a chegada da May.
É muito bom tirar fotos dela, como se realmente fosse uma pessoa que fica por aqui enquanto eu trabalho. Meu Flickr agora é todo dela e assim eu posso também exercitar um pouquinho minha criatividade fotográfica, apesar de ainda não ter conseguido uma intimidade com minha câmera nova.
Apesar de tudo, acho que existem exageros sim no mundo das blythes. Mas isso acontece em tudo, e cabe a cada pessoa saber o que fazer da sua vida. Eu, por exemplo, tenho um limite que aceito pagar por roupinhas e coisas, e ele é proporcional ao limite que dou para comprar coisas pra mim também. Gosto de esperar por limpezas de armário, fazer troquinhas ou até mesmo pagar em dolar quando sai mais barato. É assim comigo, é assim com a blythe!
Fotos usadas no post: blythelife, erregiro, petitplat, lilitix, sugaroni, tamara, valaris, sabrina eras e taty.
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Peço que por favor, se for pra xingar, dizer que é um absurdo ou qualquer coisa do tipo, é melhor engolir seu comentário. A intenção do post não é gerar um debate sobre ter ou não uma Blythe, é para ser apenas algo divertido e mostrar coisas legais que EU vejo numa Blythe. Se você não vê… bom, deve ser por isso que eu tenho uma, e você não. Simples assim! =)

Chamem do que quiser, eu acredito que tenho um dom. Quem me conhece sabe o meu poder de economizar dinheiro, comprar coisas ótimas em balaios e revirar lojas de 1,99. Fiz verdadeiros milagres enquanto vivi durante 20 anos sem mesada, fazendo render o dinheiro do aniversário até o Natal, e o do Natal até meu aniversário. Treinei meu cérebro a só se interessar por algo que fosse realmente impossível de viver sem, ou pelo menos custasse menos de 50 reais. Mas como eu disse, isso aconteceu até meus 20 anos. Foi começar a ganhar o que a maioria dos adultos chamam de salário que um novo mundo de futilidades se abriu pra mim. Eu me senti milionária tendo 300 reais, e constatei que deveria aprender não a investir, mas sim torrar dinheiro, aquilo que não fiz a vida toda. Meu cérebro virou independente do meu espírito, e se assumiu um grande fã consumidor de sapatos. Minhas bolsas deixaram de ser egoístas e pediram por novas irmãs no armário. Minhas unhas criaram personalidade e toda sexta-feira elas me imploram para serem levadas no salão e ganharem uma corzinha. E assim todos os elementos do meu guarda-roupa se rebelaram por uma Bruna mais gastadeira e menos mão de vaca. Não, jamais serei uma Becky Bloom. Apesar da nova loucura consumista que invadiu minha vida, já me fazendo comprar sapato dois números menor só para tê-los e blusas que mofam no armário por ter pena de usá-las, eu ainda dou muito valor ao meu dinheiro. O segredo? Separo meu salário: metade para a intocada poupança, metade para ser feliz.