Um Woody Allen em minha vida

3 de Agosto de 2008

Eu esperei o momento de eu realmente ter um pouco de propriedade pra falar do Woody. É, o Woody. Agora somos praticamente íntimos, por minha parte, é claro, uma vez que percebi um reflexo da minha personalidade na dele.


Tudo começou quando o dono de uma locadora praticamente atirou o DVD de Scoop n
o colo do André, meu namorado. Eu, que sempre ouvi falarem que “os diálogos de Woody Allen são uma chatisse” e que “seus últimos filmes decaíram muito” já não era a pessoa mais animada pra assistir o filme, principalmente porque não, eu não gosto da Scarlett Johansson. É provável que seja aquela inveja feminina mesmo, já que ela é linda, sexy e ex-namorada do Josh Hartnett. Enfim, adorei Scoop! Achei engraçadíssimo, diferente, diálogos rápidos e até curti a Scarlett! Apesar de muita gente ter metido o pau no filme, foi meu primeiro Woody Allen e, sabendo que os críticos falavam em retrocesso, me estimulei a ver os outros filmes, já que o considerado fracasso tinha me agradado bastante.

No caminho da regressiva, encontrei O Sonho de Cassandra passando no Cinema. Meu primeiro Woody Allen drama! Tão, mas tão diferente de Scoop. Culpas, uma história tensa, cheia de reviravoltas, mas que ainda era Woody Allen. Parti então para o tão elogiado Annie Hall (ou “de-onde-surgiu-essa-tradução-? Noivo Neurótico, Noiva Nervosa). Estava confirmado: eu sou o Woody Allen. As manias, o fala-fala, as discussões infundadas e pessoais sobre o ser humano, o universo e além. As idéias que brotam do nada, o medo da morte, o medo de doenças, a inconstância, o pessimismo e ao mesmo tempo o amor por tudo. Segui com What’s New Pussy Cat, Manhattan, A Última Noite de Bóris Grushenko, Zelig, Dirigindo no Escuro e Match Point. Sei que ainda faltam muitos filmes, mas achei que neste estágio eu já poderia me dizer fã e comentar o estilo do diretor.

Também li um dos três livros que reunem crônicas do Woody Allen, da época de 70, chamado Cuca Fundida. Com o livro, cheguei à uma conclusão. Já li muitas pessoas dizendo que Woody se repete, e até esse um assunto bastante repetitivo (er..) em torno dos seus filmes mais novos. Porém, eu vejo isso como um motivo ainda maior para admirar esse cara baixinho e dos óculos com armação grossa. Eu acho uma coisa incrível que ele consiga elaborar histórias diferentes com os mesmos elementos. No livro, você pode notar que certas “palavras-chave” sempre aparecem em suas crônicas, como ceroulas por exemplo, mas as histórias fazem você viajar na maionese com tanta originalidade. Outra coisa que todos sabem é que Woody adora explorar manias e neuroses comuns à várias pessoas, e gosta de citar seus diretores e filósofos preferidos em suas obras.

Sei que nem todo mundo vai acabar pensando como eu, e vai continuar achando que “os diálogos de Woody Allen são uma chatisse” e que “seus últimos filmes decaíram muito”, mas é uma questão pessoal e ele mesmo diz que “é muito difícil ser Woody Allen”, imagine então gostar!

Comente!
  1. Vy 03/08/2008 às 23:24

    Eu nunca me prendi a diretores, mas sei q eles fazem a diferença num filme. Os únicos filmes q eu lembro de ter visto mesmo foram “Todos dizem eu te amo” e “Os trapaceiros”. O primeiro é aquele musicado, com a Julia Roberts, e acho q eu nem vi inteiro pq não lembro da história, haha, e o segundo eu só vi pq tinha o Hugh Grant no elenco, haha! Mas eu gostei bastante.

    Bjos

  2. Cláudia 04/08/2008 às 21:23

    Woody é fantástico e eu adorei seu post.

    Ok, confesso que vi menos filmes dele do que você: Scoop (L), Match Point, O Sonho de Cassandra (adorei! a-do-rei), Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, o Dorminhoco (fantástico também, vejaaa!!) e uma ponta de Manhattan.

    Mas rá, tenho um truuunfo: eu encenei uma peça dele, rará! Chama “A Morte Bate à Porta” e tem no Youtube algumas versões filmadas do roteiro (não sei se foi filmada/encenada em hollywood). São horrorosas, geralmente, apesar da história ser genial. Só tem uma versão que presta e dá pra pegar a idéia melhor, é “cinematografiquinha”, essa aqui: http://www.youtube.com/watch?v=lTm8lIjYld8

    (Teatro realmente NÃO funciona nas câmeras – e nem é essa a intenção dele, na verdade, mas xá prá lá)

    Mas bah, divagações teatrais à parte, repito: gostei muito do seu post. Feed assinado e visitado de vez! =]

    Beijo!

  3. Cih 05/08/2008 às 00:04

    Não sou de ficar vendo quem fez tal filme ou porque esse diretor faz dessa forma… ou porque fulano escreveu essa história deste jeito aqui.
    As vezes me sinto um ser inferior por não admirar pessoas como você citou.
    Na Gloss deste mês, a Scarlet foi citada e esse nome, Woody A. foi mencionado várias vezes. Até que não estou tão por fora, néim!?

    Kiss

  4. Ira 05/08/2008 às 16:06

    Primeiro filme que eu vi dele foi os “Trapaceiros”. Achei genial.
    Depois dei uma chance para “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” e até que gostei.
    Mas é tão difícil falar “eu gosto de Woody Allen”. Para mim ainda falta alguma coisa. Oi muitas coisas.

  5. P.Lay 19/08/2008 às 20:07

    Adorei “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. Ele adulto interferindo nas histórias dele de criança. Muito já vi esse recurso engraçadinho em filmes, mas o Woody Allen foi o primeiro a botar a mão na massa.

    Minha mãe detesta ele. Diz que ele é tarado. Acho a maior graça quando ela fala isso, sabe, é mais ou menos quando tu ganha qualquer-coisa no anuário e a tua mãe pergunta se tinha teu nome lá e mal faz festa. Rá!

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