Aprendendo a gastar

3 de Maio de 2009

Chamem do que quiser, eu acredito que tenho um dom. Quem me conhece sabe o meu poder de economizar dinheiro, comprar coisas ótimas em balaios e revirar lojas de 1,99. Fiz verdadeiros milagres enquanto vivi durante 20 anos sem mesada, fazendo render o dinheiro do aniversário até o Natal, e o do Natal até meu aniversário. Treinei meu cérebro a só se interessar por algo que fosse realmente impossível de viver sem, ou pelo menos custasse menos de 50 reais. Mas como eu disse, isso aconteceu até meus 20 anos. Foi começar a ganhar o que a maioria dos adultos chamam de salário que um novo mundo de futilidades se abriu pra mim. Eu me senti milionária tendo 300 reais, e constatei que deveria aprender não a investir, mas sim torrar dinheiro, aquilo que não fiz a vida toda. Meu cérebro virou independente do meu espírito, e se assumiu um grande fã consumidor de sapatos. Minhas bolsas deixaram de ser egoístas e pediram por novas irmãs no armário. Minhas unhas criaram personalidade e toda sexta-feira elas me imploram para serem levadas no salão e ganharem uma corzinha. E assim todos os elementos do meu guarda-roupa se rebelaram por uma Bruna mais gastadeira e menos mão de vaca. Não, jamais serei uma Becky Bloom. Apesar da nova loucura consumista que invadiu minha vida, já me fazendo comprar sapato dois números menor só para tê-los e blusas que mofam no armário por ter pena de usá-las, eu ainda dou muito valor ao meu dinheiro. O segredo? Separo meu salário: metade para a intocada poupança, metade para ser feliz.