Retrospectiva Whatever – Parte II

11 de Setembro de 2012

Reza a lenda que para cada 1 ano humano, minha vida avança 5 anos.

Depois de tudo que aconteceu na Retrospectiva Whatever, eu jamais imaginava que ainda ia passar por outras várias experiências e surpresas.

A começar pelo sonho da casa própria. Eu e o Rafa esperamos quase 1 ano para nos mudarmos para o apartamento que compramos em maio de 2011. Nesse meio tempo, morei com a minha sogra e meus dois cunhados na zona norte de Porto Alegre, uma área que, assim como a cozinha, era um mundo obscuro que eu não sabia onde existia. Diante das adaptações de viver em uma casa com mais do que duas pessoas, como eu estava acostumada, deixei de lado algumas frescuras. Entre outras coisas, passei a comer a clara do ovo e vi como era ter uma criança de 10 anos na minha vida. Gostei! Tive companhia para ficar na fila do último Harry Potter por uma hora e meia e me dei conta de que algumas coisas a gente tem que deixar para trás, se não aos 10 anos, pelo menos bem antes dos 26.

No campo profissional, o meu primeiro projeto de ser freelance não foi levado a sério o suficiente por mim, e na metade do ano percebi que R$ 200 não dava pra pagar meu financiamento. Pensei em começar a vender as claras dos ovos. E a criança de 10 anos. Mas tive que enfrentar a realidade e procurar um emprego. Demorei apenas 2 meses para confirmar que não consigo ter um trabalho convencional dentro de uma empresa. Parece errado e inconsequente falar isso, mas o que eu vou fazer? O mundo mudou e talvez isso não seja um problema, e sim uma tendência, o futuro, a geração delta do caralho a quatro.

Me foquei em tentar meu segundo projeto para ser freelance. Criei planilhas no Excell e agora ninguém me segura. Tenho até um gráfico, hihi! Reformulei totalmente meu portfolio, comecei a postar por lá dicas de design, criei todo um método de trabalho e fiz parcerias. Quem não está levando a sério agora, hã? Chupa essa manga… Bruna!

E aí começou um novo ano, e em janeiro nos mudamos finalmente! Começou com dias de reforma, internet meia boca e sem pia para lavar a louça que também não tínhamos. Depois foram semanas para a cozinha sob medida vir com as medidas certas. Ao todo foram 5 tentativas. CINCO! Mas em cada uma delas, um pedacinho da cozinha ficava aqui. E aí vieram os meses sem armário e sem TV, mas agora a maioria das coisas já está no seu devido lugar!

Em fevereiro, ganhamos uma roomate canina! haha A Moca, em homenagem à deliciosa variedade de café, já tinha 3 meses e muitas histórias para contar – isso se ela falasse, claro. Apesar de cachorros serem fofinhos, me arrependi de ter adotado ela no momento em que vi a decoração dos meus sonhos indo por água abaixo. A Moca destruiu sapatilhas, meias, canetas, rolos de papel higiênico, jornais mijados, sacos de lixo, um sofá (que não aceitaram nem como DOAÇÃO, tamanho foi o estrago), uma mala novinha, comeu cupcakes, subiu no ar condicionado do lado de fora da janela, fez xixi na cama, vomitou no meu pijama. Agora? Jamais me separaria dela.

Tudo estava indo bem, porém depois de não ter conseguido chegar num encontro de Blythes na grande Porto Alegre porque tive um ataque de pânico dentro do trem, aceitei que precisava de ajuda. Não foi só esse dia do encontro, mas muitas outras vezes que tive que voltar pra casa, pedir pro meu pai me buscar, ou simplesmente deixar de sair. Essa história de viajar no tempo e acelerar os anos definitivamente tinha mexido com a minha ansiedade. Comecei o que de melhor poderia ter acontecido: psicoterapia e acompahamento psiquiátrico. Demorei pra entender que eu não era uma derrotada por isso e que tentar controlar a minha mente para melhorar sozinha é uma ilusão. Vejo o quanto meu tratamento me ajuda, embora eu tenha começado jurando que ninguém ia saber mais do que eu mesma sobre questões da minha vida que eu já tinha analisado por tantas vezes. Ajuda mesmo.

Apesar de tudo isso já dar um post e tanto, foi o que aconteceu semanas antes do Natal do ano passado que mudou minha vida. Minha história até então, e meu futuro a partir dali. Em poucos minutos, tive que alterar meu perfil de filha única para irmã mais velha de 4 irmãos. Sabe aquela história que renderia bons frutos em um programa da Ana Maria Braga? Pois é. Mas isso é história pro próximo post.