O que eu aprendi com a PUC

31 de Julho de 2009

Hoje eu fui fazer o requerimento pra trancar a matrícula de Jornalismo na PUC para o próximo semestre. Pois é, oficialmente, estou deixando de ser uma estudante, de uma vez por todas. Pra quem não lembra ou não sabe, há um ano eu entrei em crise de formada desempregada sem futuro promissor e achei que talvez meu caminho não era seguir pela Publicidade. Como sempre gostei de escrever e fui reconhecida por isso, pensei que Jornalismo seria uma boa opção, tanto pela possibilidade de encontrar uma nova aptidão, quanto poder novamente ir em busca de um bom estágio.

Acontece que as coisas não foram tão bem assim. No primeiro semestre, fiz matérias até legais, porém me decepcionei muito com a estrutura da faculdade. Depois de ter estudado na ESPM, a PUC não era nada. Desde a falta de ar condicionado até as portas do banheiro pintadas de um azul breguíssimo, tudo me incomodava. Fora o ambiente frio e distante, que não fazia eu me sentir bem-vinda. PUC, definitivamente, você não é uma boa anfitriã.

Ter pego o bonde andando também não ajudou. Na primeira aula de redação, tive que procurar o que era lead e cartola no Google, senão não ia conseguir terminar a primeira matéria. Paguei alguns micos básicos por ser uma alma perdida. Fui pra aula com a turma errada, perdi uma moeda de 25 centavos na passarela do ônibus e não tinha mais como voltar pra casa, tive um ataque de pânico e me agarrei num guri que era bixo de Direito, e ainda mandei e-mail pro professor dizendo que minhas expectativas pra aula dele eram zero.

Tudo teria sido um pé no saco, mas apesar de tudo esse um ano me ensinou muita coisa. Tive que ir atrás de um monte de coisas por minha conta e talvez tenha aprendido bastante a deixar a timidez de lado e simplesmente perguntar, bancando a boba-espontânea. Às vezes é preciso, e já que ninguém me conhecia mesmo, tava cagando e andando. Além disso, aprendi a pegar ônibus. *Aqui fica um espaço para vocês rirem, se surpreenderem e reagirem ao meu estado de superproteção durante toda a infância e adolescência.* Nunca tinha pego ônibus sozinha, e achei bem interessante. Descobri que no mundo ainda existem pessoas legais, e elas seguram suas coisas quando você não consegue lugar pra sentar. Descobri também que muitos desodorantes vencem rápido, mas não consegui adivinhar as marcas. Também descobri que muitas pessoas vão ficar surdas antes dos 30 anos, pelo volume do mp3 player. E que talvez as pessoas que sentam ao lado delas também.

Fora isso, aprendi que dois professores dando a mesma aula são pra equivaler a um bom. Aprendi também que se eu não usasse all star em cerca de um ano, ia continuar sozinha nos intervalos. Aprendi que existem meninas muito legais que também estavam meio perdidas lá na PUC, e que jornalistas geralmente tem bom gosto musical. E, principalmente, aprendi que não importa o que aconteça, toda a faculdade que eu entrar vai perder o diploma uns meses depois.

Hoje eu sou gente que faz, sou devota de Padre Herson Capri, sou muito mais eu mesma sem vergonha e sou de novo desempregada que dorme até as 14h, mas assim… tô sentindo cheiro de futuro promissor por aí, hein? Veremos.

Bye, bye, PUC.

Ps: aos paraquedistas que aterrizaram neste blog agora, eu sou formada há dois anos em Publicidade e Propaganda pela ESPM e fazia Jornalismo como segunda faculdade.