Ser perfeita exige esforço

30 de April de 2009

Sempre tem aquela amiga que todo mundo acha perfeita. Não necessariamente uma amiga, pode ser uma prima, uma colega de trabalho, ou uma simples conhecida. Aquela guria que diz que lava o cabelo com sabão de côco e mesmo assim ele é super hidratado. Aquela que nunca se atrasada pelo simples motivo do despertador não ter tocado. Tem sempre uma história maior, mais engraçada, mais triste ou mais bizarra pra contar. Sobre qualquer assunto. As festas dela são as melhores, os amigos dela são os mais queridos, os ex-namorados os mais lindos, as viagens as mais loucas e a grama a mais verde. Além disso, ela é a melhor filha, a melhor amiga e a melhor namorada. Ela conhece todas as bandas cool do momento, todos os filmes alternativos, todos os lugares da Europa e já fez tudo que você pensar em querer fazer. Mas nem tudo é um mar de rosas, como ela faz questão de frisar. Ela também quer ganhar de todo mundo quando o assunto é problema. É ela que tem as piores histórias de família, as noites mais mal dormidas, o carro mais batido e os piores diagnósticos médicos. Ela é sofredora. Ela é praticamente Maria do Bairro. Mas ela não se abate. Não. Ela tira de letra todos esses problemas tendo as maiores noitadas da vida de qualquer ser humano. E tem mais! Sabe aquele famoso que você viu no aeroporto? Pois é, ela já viu ele duas vezes e inclusive numa delas beberam juntos numa festa VIP que ela conseguiu ingressos porque tem muitos amigos populares. Sabe aquela viagem que você fez pra serra no feriado? Parece que ela foi apenas com uma enorme mochila e de patinete pro Rio e teve o melhor final de semana de todos os tempos. Sabe esse post? Ela escreveria melhor. Sabe essa amiga? Ela é uma farsa. Sabe o que é pior? Ninguém mais nota isso.

Eu só vou se for de DeLorean

20 de April de 2009

delorean

Voltar no tempo não é pra qualquer um. É preciso ser mágico, louco ou Marty McFly. Mas e se você pudesse voltar no passado? Eu não mudaria nada da minha história, me orgulho muito da minha infância e me diverti muito na adolescência. Mas eu faria questão de viajar no tempo, e minha primeira parada seria os anos 80. Eu nasci em 1986 e acompanhei muitos dos clássicos da década, mas imagino como seria viver tudo aquilo hoje, com 22 anos. Poder sair sabendo que ninguém iria te achar, pois celular ainda não fazia parte da nossa rotina. Chapinha? Progressiva? Que nada! Lava o cabelo e sai no vento, porque a moda é ter volume. Eu teria saído às ruas para comemorar quando foi decretado o fim da Ditadura e a volta dos exilados. Também comemoraria o decreto que todas as mulheres teriam cintura, porque passar o dia inteiro com uma calça de cintura alta apertada sem respirar direito tem que ter uma vantagem. Eu poderia ver o show da banda que marcou a minha vida, antes mesmo de eu nascer, a Legião Urbana. Eu poderia ter assistido Os Goonies no cinema, ao invés de ter conhecido Sloth pela minha tv de 14 polegadas. Eu dançaria lambada sem que isso fosse considerado brega. Eu veria Roque Santeiro, na falta de um computador e de uma tv a cabo. Mas eu só faria essa viagem se fosse de DeLorean, a máquina do tempo em forma de carro inventada pelo Dr. Brown. Só assim eu poderia ir e voltar numa boa, pra poder contar tudo isso no meu blog, enquanto ainda vestisse minhas polainas.

O pós do ex

12 de April de 2009

Primeiro você se transforma na Revolta. Tira o commited do Orkut, deleta todas as fotos dele, se escabela toda e xinga o maldito até sua décima quinta geração de parentes. Faz uma fogueira numa lata de Nescau e queima cartas, fotos, aquele primeiro papel de bala que ele te deu quando vocês ainda eram só amigos e todo e qualquer vestígio de que aquele canalha passou pela sua vida, incluindo a aliança que teima em não sair do seu dedo. Depois, você assume a Mágoa. Começa a sentir falta do cheiro, do gosto, dos telefonemas, de comentar aquele programa que vocês sempre viam deitados no sofá no domingo a noite, de alguém que entenda o que quer dizer aquela palavra que vocês criaram juntos. Você até tenta resgatar algumas poucas coisas da lata de Nescau, mas é em vão. Você se torna a Depressão. E, pior, faz força pra continuar sendo ela. Se joga nas caixas de chocolate, aluga pela sétima vez na locadora Um Amor Pra Recordar e ouve incalsavelmente todas as versões de Fico assim sem você da Adriana Calcanhoto. Só com sax, só com piano, gospel, forró, indiana. Chorando abraçada com o maior ursinho de pelúcia que ele te deu em todas, claro. Você olha pra aliança e chora. Você come, e chora. Você assiste Tom e Jerry e chora. Você respira, e… chora mais um pouco. Até o momento em que você não tem mais 80% de água no corpo, e sim 5% e resolve que você vai voltar a ser Mais Você. Porque no fim, é como a TPM. Existem receitas para amenizar, mas não mágicas para sumir. Acontece, você querendo ou não. É humano. Dói, irrita, dá depressão e tudo que você não quer é passar por aquilo de novo. Mas a vida continua.

Respect, just a little bit

5 de April de 2009

Respeito: eis aí um sentimento que poderia ter tantos seguidores quanto a banda Jonas Brothers. Mas, bem ao contrário, é um ítem em falta no mercado. No final do mês passado, começou uma onda de notícias sobre agressões e atitudes mal educadas de alunos aos seus professores. O que desencadeou a polêmica foi uma professora que teve traumatismo craniano ao apanhar de uma aluna na minha cidade, em Porto Alegre.

Professores são aqueles que irão nos guiar através de livros, fórmulas, exercícios e testes. Eles não inventaram nada daquilo, eles não tem culpa se a soma dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa, eles não forçaram a ditadura a acontecer, nem criaram abalos sísmicos ou leis de Newton. Mesmo assim, eles fazem questão de toda manhã acordar e ir explicar tudo isso para um bando de gente que desconhece esses fatos. Eles te dão ferramentas e ideias para você formar suas opiniões, sua personalidade, sua cabeça, seu conhecimento – a famosa bagagem, que muitos fazem questão de despachar imeadiatamente que recebem.

O que acontece é que muitos alunos não vêem seus professores como alguém que quer ajudar, e sim como um autoritário, velho rabugento, uma figura que se for séria não pode ser alguém legal. Professores são, acima de tudo, mestres. E os mestres existem em todas as etapas da nossa vida, porque nunca vamos saber tudo. Vamos sempre precisar de ajuda, de conselhos, de informações. Seremos sempre alunos, aprendendo a viver. Passando por bons e maus professores. Tentando extrair o melhor de cada aula.

Se você não respeitar seus professores, as pessoas que, tanto quanto os seus pais, estão ali para te dar aquele empurrãozinho para não ter que começar sua vida de adulto sozinho, você não vai respeitar ninguém. E, pior ainda, terá escolhido ser um ignorante, que jamais será respeitado também.

Foto da minha formatura, eu recebendo o grau de René Goellner. Um mestre.

Heróis do dia-a-dia

1 de April de 2009

Na minha opinião, heróis não são guerreiros, não tem super poderes e não são somente aquelas pessoas admiráveis. Heróis são, simplesmente, aqueles que salvam pessoas.

Lembro que minha primeira heroína foi Elvira, a Rainha das Trevas. Eu tinha uns 8 anos e recém havia colocado aparelho nos dentes. Tava apertadíssimo, doendo muito, e Elvira me salvou me distraindo com 98 minutos de diversão cinematográfica, incluindo a dança dos peitos. Obrigada, Elvira!

Acho que muitos heróis internacionais não são reconhecidos pelo seu verdadeiro valor de salvação. O inventor da Paciência, por exemplo. Não, não falo da virtude. Falo do joguinho de cartas que acompanha o Windows desde sua primeira versão e que, com certeza, já salvou muita gente do tédio. E o que dizer do Sr. Lamen? Multidões de estudantes, mães apressadas e péssimos cozinheiros no mundo todo já foram salvas da fome e da miséria graças à essa humilde massinha. Miojo é herói! E o mesmo podemos dizer dos criadores de Poxipol, Palitos Gina, fita crepe e band-aid. Todos heróis, cada um da sua forma, nos salvando de pequenos pepinos do nosso dia-a-dia. E, diga-se de passagem, muito mais dignos do que muitos heróis convencionados por aí…

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