Irmãos que a gente escolhe

3 de August de 2009

Às vezes eu até esqueço, mas faz parte do meu perfil: sou filha única. Desde pequena, nunca respondi sim ou fiquei intrigada com aquela clássica pergunta de vizinha mala “não quer um irmãozinho?”. Brinquei sozinha com meus vários brinquedos. Me trancava no quarto e me perdia na imaginação de uma mente que de solitária passou a ser criativa, inventando personagens, histórias, músicas e até mágicas. Chegava a me irritar se alguma amiguinha se passava no horário aqui em casa. Ao entrar no colégio, me senti muito mal por ter que sociabilizar com outras crianças que não pensavam como eu. Elas não acreditavam em bruxas, e tinham a malandragem que me faltava. De todas aquelas que entraram no colégio comigo, algumas poucas também saíram. Como amigos, como irmãos. Irmãos que eu escolhi, que passaram por todos os momentos da minha vida. Com quem briguei, com quem chorei, com quem errei junto, com quem dei as maiores risadas da minha vida. Daquelas de doer a cabeça mesmo. Irmãos que conhecem meus pais, que visitam minha casa sem bater, que não esqueceram nenhum dos meus 17 aniversários que passamos juntos. Irmãos a quem eu devo os melhores anos da minha vida. E o melhor, sem nunca ter precisado dividir a mesada.

Ó céus, ó vida, ó azar

23 de June de 2009

Porque existem dias que você simplesmente acha que o mundo acabou. E por alguns minutos, ele acaba mesmo. Parece que não existe mais nada que console depois daquela unha perfeitamente feita pela manicure ter quebrado quando você puxou de qualquer jeito a gaveta das meias. Parece que nada mais vai curar o fato de estar frio, chovendo, o ônibus atrasado por 20 minutos e seu cabelo armando na mesma proporção que aquele carinha do prédio 8 se aproxima. E ainda tem os problemas acumulados, o fato da sua vida estar toda de cabeça pra baixo; as mil e uma dúvidas da adolescência, que, lamento dizer, vão se estender até os seus 50 anos; aquela espinha indesejada bem no dia da festa; aqueles motivos todos que te fazem ter vontade de – POFT! – simplesmente sumir do mapa. Mas aí quando eu estou toda encolhida na minha cama, fazendo força pra acreditar que de alguma forma, estou sendo teletransportada pra outro lugar em que tudo esteja melhor, ela chega. Minha mãe. Com um Nescauzinho quente, um lanchinho com chocolates, um casaco, um abraço, uma história engraçada. É, o teletransporte realmente funcionou. Não há lugar melhor do que ao lado da minha mãe. E assim, ela sempre salva qualquer dia ruim.

Namorado dos sonhos

9 de June de 2009

Passei 18 anos procurando pelo namorado dos meus sonhos. Ele era engraçado, companheiro e, principalmente, alguém que eu pudesse admirar por ser quem é. Muitas vezes tentei encaixar outros corpos na minha imagem de homem perfeito. Em vão, pois eles já estavam destinados aos sonhos de outros garotas. Até que um dia desisti, cansada de esperar, e foi então que encontrei. Feitinho sob encomenda pra mim, meu primeiro namorado, com quem eu sempre sonhei sem saber, e com quem hoje eu sonho em viver pra sempre.

Prazer, Kong. King Kong.

2 de June de 2009

kingkong

Eu nunca fui uma pessoa de micos convencionais. Claro que já beijei o chão na rua, caí da cadeira na aula, já dei foras e tive que consertar na hora ou sair correndo. Mas isso não é algo freqüente no meu dia-a-dia, até porque nem lembro da última vez que aconteceram coisas assim. Em compensação, alguns king kongs permeiam minha vida. Situações tão constrangedoras que viram chacota pro resto da vida e eu preciso aprender a conviver com isso toda vez que minha família se reune. Uma história clássica que sempre ressurge nos almoços de domingo é o dia em que eu abracei um cara qualquer num supermercado achando que era meu pai. Ele estava de costas e eu não tenho culpa se meu pai tem características padrão de pai: meio gordinho, estatura média e careca. Se fosse o Homer, eu abraçava. Não bastou abraçar, eu ainda disse “Aiai, PAPI” e quando aquele homem olhou pra mim extremamente surpreso, talvez lembrando de alguma ex-namorada e prevendo a cena de uma mulher gritando loucamente que queria um exame de DNA e tudo que ele tem na conta do banco, eu percebi que meu pai verdadeiro tava do outro lado do corredor, já rindo muito de mim.

Outras histórias:

Outra que adoram lembrar é a vez em que eu ganhei um cachorro Husky de pelúcia no Natal e… chorei. Chorei muito. MUITO. Chorei repetindo 3057 vezes a frase “meu Husky!!!”, enquanto todos entravam em conflito se era felicidade ou uma mágoa profunda com um erro do Papai Noel. Eles filmaram e acham a maior graça assistir isso hoje, uns 15 anos depois, rindo muito da minha cara. Eu, particularmente, continuo achando lindo o fato de uma criança conhecer tão cedo o papel da emoção, enquanto limpo algumas lágrimas ao lembrar do meu querido Husky.

E, é claro, o mico mais recente eu contei aqui no blog, que foi o dia em que todos os salões de beleza de Porto Alegre pararam porque a idiota aqui marcou de fazer a unha em todos eles, achando que era uma alguma deusa indiana com mil braços ou sei lá o quê.

Boys have penis, girls have vagina

14 de May de 2009

Afogar o ganso, molhar o biscoito, trocar o óleo, dar um tapa na butchaca. As metáforas são inúmeras, mas afinal, qual é o nosso problema em falar de SEXO? Se a palavra já amedronta os pais e cora as bochecas dos adolescentes, imagine a execução dela. Sexo parece complicado, feio, indecente, mas.. peraí! O que que tem de mais mesmo?
Pro inferno com todo o blá blá blá científico e com os papinhos conscientes de Jairo Bauer. Se a gente for pensar bem, é simplesmente como se duas pecinhas diferentes de Lego se encaixassem e pudessem gerar um playmobil. Mas nem sempre isso acontece, proporcionando, na maioria das vezes, apenas muita diversão pra quem brinca de montar. Essa, aliás, é uma das brincadeiras preferida dos adultos. E é tão corriqueira e natural que não deveria mais continuar a ser o tabu que é hoje. Não acho que seja necessário escancarar o assunto para crianças, colocar cenas de sexo na Malhação ou ensinar novas posições do Kama Sutra na Educação Física. A gente sabe que apesar de simples, a banalização da brincadeira dá margem à precocidade infantil, e a bem da verdade é que ter um playmobil é caro e que algumas peças do Lego podem quebrar. O ideal seria mesmo introduzir a brincadeira com bom senso, humor e ao mesmo tempo ensinando todas as regras do jogo para que o assunto não seja mais motivo de falta de coragem para tirar dúvidas, idas escondidas ao ginecologista e situações constrangedoras na mesa do Natal.

Pra quem quiser se divertir com definições engraçadinhas pro sexo (achei na internet, é pura besteira):

Segundo o médico é uma doença, porque sempre termina na cama.
Segundo o advogado é uma injustiça, porque sempre há um que fica por baixo.
Segundo o engenheiro é uma máquina perfeita, porque é a única em que se trabalha deitado.
Segundo o arquiteto é um erro de projeto, porque a área de lazer fica muito próxima a área de saneamento.
Segundo o político é um ato de democracia perfeito, porque todos chegam ao clímax independentemente da posição.
Segundo o economista é um desajuste, porque entra mais do que sai. Ás vezes, nem se sabe o que é ativo ou passivo.
Segundo o contador é um exercício perfeito: põe-se o bruto, faz-se o balanço, tira-se o bruto e fica o líquido. Podendo, na maioria dos casos, ainda gerar dividendos.
Segundo o matemático é uma perfeita equação, porque a mulher coloca entre parênteses, eleva o membro à sua máxima potência, e lhe extrai o produto, reduzindo-o à sua mínima expressão.
Segundo o psicólogo, é foda de explicar.

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